Começando um negócio baseado em software livre: 5 considerações a serem feitas
As considerações, brevemente, são:
1) Como o SL se encaixa no meu perfil de negócios?
Você vai apenas utiliar software livre? Ou vai desenvolver ou distribuir soluções baseadas em software livre?
Se você se encaixa no primeiro caso, então o caminho é bem claro; várias das considerações aqui colocadas são irrelevantes. No caso da distribuição, a única preocupação são com as licenças, de forma a evitar um processo.
Mas se você pretende incluir SL no seu produto, as considerações são mais complicadas; você precisa decidir como incluir o SL no seu plano de negócios.
Você pode encontrar um sumário das opções básicas de planos de negócio em SL no The Magic Cauldron de Eric S. Raymond. Mas já generalizando, existem duas opções básicas: software livre com serviços pagos (no estilo da Red Hat), ou manter duas opções de licenciamento (uma livre e uma proprietária), no estilo da Trolltech (Qt).
2) Quais licenças você vai usar?
Se você apenas redistribui software livre, você geralmente não tem escolha, exceto redistribuí-la com a mesma licença que foi obtida. Porém, se você está lançando seu próprio SL, isto requer atenção especial.
Todos sabem que a licença mais popular é a GPLv2 e a GPLv3; mas dependendo do seu plano de negócios, a GPL pode não ser a mais adequada. Se você tem duas versões separadas do seu software, você pode considerar a LGPL (Lesser GNU General Public License), que é feita para licenciamento duplo.
Se você não tem certeza da licença, pode consultar o Software Freedom Law Center ou o Compliance Lab da Free Software Foundation.
3) Como controlar a maneira em que o software livre entra na empresa?
Devido à fácil obtenção do software livre, ele às vezes é usado sem que você saiba. Um desenvolvedor pode baixar um software livre em minutos e, assim, não só expor a empresa à possíveis riscos de segurança, mas também à obrigações e violações de licenças que ela não tenha como rastrear.
Para resolver esses problemas, um novo campo chamado governança de software livre (N.T. original = FOSS governance) está surgindo, com empresas como a Black Duck Software , Palamida, e mais recentemente a HP, oferecendo auditorias do SL que já se encontra nas redes. Eles também oferecem serviços de consultoria para gerenciar o uso do SL no futuro.
4) Como você obterá o suporte e treinamento?
O jeito mais comum de receber suporte ao SL são fóruns ou canais de IRC. Embora muitas pessoas tenham suas dúvidas quanto a esses meios, na prática esses meios são mais rápidos que muitos suportes técnicos pagos. O problema não é a quantidade, e sim a qualidade das respostas.
Para empresas pequenas e médios, especialmente nestes onde os profissionais têm conhecimento técnico, estes recursos são suficientes. Porém, empresas maiores, ou empresas que precisam "prestar contas" para diretores, vão preferir um suporte técnico formal e pago.
Mas se os serviços pagos são a preferência, isso muda as escolhas de SL. Você provavelmente vai querer evitar software baseado em comunidade (ex.: Debian) e preferir produtos como o Red Hat Enterprise Linux, que oferecem o tipo de serviço que mais atende essas necessidades.
O mesmo se aplica ao treinamento e certificação; neste caso você pode considerar, além dos fornecedores de software, você pode considerar opções como a LPI.
5) Como você irá lidar com a comunidade SL?
Queira você ou não, quando você começar a trabalhar com software livre, você estará entrando em um relacionamento com a comunidade que o desenvolve. Além do mais, sua reputação com a comunidade pode ser tão fundamental para seu sucesso quanto a reputação com parceiros de negócios. Você pode querer pensar nisso como relações públicas.
Embora muitos desenvolvedores de SL trabalhem frequentemente para grandes empresas, muita da comunidade continua hesitante quanto aos motivos de uma empresa envolvida com SL. Portanto, acabar com esta hesitação deve ser seu primeiro objetivo. Não pense que você pode usar software livre como uma forma de fazer os outros trabalharem de graça para você; a comunidade SL já viu manipulação dessa forma.
Outra maneira de melhorar as relações é demonstrar que sua empresa suporta os ideais da comunidade: contribuindo código, fazendo doações para projetos e colaborando com o desenvolvimento em geral.
Você também não deve tentar impor o respeito com suas próprias mãos. No mundo do SL, respeito é obtido, e não forçado. Você pode querer colocar seus programadores em contato direto com os canais de suporte (IRC, fóruns, mailing lists).
Outros recursos
Estas são apenas poucas questões que poderiam ser feitas; se você começar a respondê-las, você logo estará no seu caminho para uma relação produtiva com o SL.
Um dos lugares para informações mais detalhadas é a Linux Foundation. Ela é uma organização sem fins lucrativos montada por várias empresas envolvidas em software livre, e seus grupos de trabalho e fóruns são um recurso precioso para seus desenvolvedores e gerentes.
Outro bom recurso é a LinuxWorld, que apesar de ser menos útil do que há 5 anos atrás, ainda é um dos maiores eventos do ramo.
Porém, um dos maiores recursos para educação é a comunidade. Se você seguir essas dicas, seu negócio pode se tornar um sucesso.
Um exemplo de empresa que não seguiu esses conselhos foi a xara, desenvolvedora do Xara Xtreme, que confundiu software livre com trabalhar de graça, não abriu partes do código que eram fundamentais para o desenvolvimento, e não respondeu aos questionamentos da comunidade sobre a abertura do código. Resultado: o código do programa foi parcialmente aberto, mas não ocorreu muito desenvolvimento e o projeto encontra parado.
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Labels: desenvolvimento, empresas, negócios, software livre



2 Comments:
Eu recomendo o artigo "Bispos do Bazar". Este artigo é uma análise de paradigmas para empresas de desenvolvimento de software. A análise não é apenas técnica ou filosófica, mas econômica. Ele discute como uma empresa de software deve posicionar-se em um panorama com empresas que desenvolvem de acordo com o paradigma do Software Livre.
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Cid Rodrigues de Andrade, At
11:17 AM
você pode considerar a LGPL (Lesser GNU General Public License), que é feita para licenciamento duplo.
De onde você tirou essa bobagem? Não tem o menor sentido e não há nenhuma recomendação no sítio da Free Software Foundation para isso.
By
Patola, At
1:35 AM
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